quarta-feira, 23 de setembro de 2015

LAMENTO


Casou-me a minha família
nesta remota parte da terra.
Deu-me a estranhos,
ao bárbaro e longínquo rei.

A tenda redonda, o meu palácio;
são de feltro, os muros.
De comer, carne crua;
para beber, leite de égua.

Sonho sempre com a minha terra.
Tenho o coração pisado!
Oh, fosse eu o cisne amarelo
que retorna ao país natal...



(Poema anónimo - séc. I a.C. a séc. I) (*)



(Tradução de Gil Carvalho, adaptada por Pedro Belo Clara).




(*) Compilado na obra "Quinhentos Poemas Chineses" (Nova Vega, 2014), pouco se poderá dizer sobre este poema composto algures durante a vigência da dinastia Han ocidental. Apenas que o lamento duma jovem de então se perpetuou pelas eras, tornando-se certamente coevo de muitos outros entretanto suspirados por jovens em idêntica situação (salvo as naturais diferenças culturais e temporais, claro está).










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